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Óleo Vegetal
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O que pensaria de um combustível automóvel a um custo de 50 cêntimos o litro, que diminuiria o consumo dos veículos e ainda é amigo do ambiente? A oferta que até há algum tempo atrás poderia ser vista como utópica é hoje uma realidade e começa a ser implantada em Portugal. A responsabilidade é da BioCar, empresa localizada em Sintra, que pela mão do seu proprietário, aposta em revolucionar de uma assentada o mercado nacional automóvel e energético.

A ideia passa por adaptar as viaturas movidas a gasóleo para o consumo de óleo vegetal, através da instalação de tecnologia desenvolvida na Europa Central.
“Em 2005, após alguns meses de investigação na Alemanha, recolhi muita informação sobre biocombustíveis, quer de pessoas que tinham já experimentado a mesma opção quer de empresas que vendem material técnico para adaptar os carros, e apercebi-me que há um movimento muito interessante na Europa central a este nível. Inclusive toda a Alemanha está equipada com estações de serviço para abastecerem óleos alimentares”, explica o empresário que afirma qualquer viatura a gasóleo pode ser convertida para consumir óleo alimentar com claras vantagens quer em termos económicos quer em termos ambientais.
“O segredo deste combustível passa basicamente por ser aquecido dentro do motor, antes de o consumir no motor. Quando aquecido ele ganha propriedades técnicas muito semelhantes ao gasóleo. De resto, não há qualquer perda de rendimento do motor, os consumos mantêm-se ou até diminui, e reduzem-se as emissões prejudiciais ao ambiente, pois como se sabe o óleo alimentar provém de uma planta o que provoca inclusive menos fumos. Tecnicamente assiste-se ainda a uma diminuição do ruído e da vibração no motor” acrescenta.

Uma viatura pesada tipo TIR, como a Mercedes Benz Actros, que circule 200 mil quilómetros num ano pode economizar até 30 mil euros nesse período

Em termos técnicos a adaptação funciona através da instalação de uma de duas opções (dependentedo do modelo de cada veículo) disponibilizadas pela BioCar, que não são mais do que dois Kit's concebidos a partir de tecnologia importada a parceiros estratégicos alemães.
A solução Kit Monotanque implica que a viatura trabalhe com o depósito original podendo consumir até 100 por cento de óleo nas temperaturas de Primavera e de Verão. “No Inverno, há a necessidade de utilizar uma mistura entre 10-30 por cento de gasóleo. Após a ignição do motor o óleo vegetal é aquecido electricamente e quando atinge a temperatura normal, o aquecedor eléctrico desliga-se e a refrigeração do motor (água) aquece assim o óleo por meio do permutador”, explica António Fernandes.
As viaturas mais recentes necessitam da adopção do Kit Duotanque, em que a viatura precisa de um segundo depósito para gasóleo que é “utilizado somente para ligar o carro quando este está frio e após uns 3 ou 4 quilómetros a viatura muda automáticamente para o consumo de óleo alimentar com base em sistemas electromagnéticos”.
Relativamente às vantagens deste biocombustível, o responsável da BioCar começa por sublinhar que “o retorno do investimento é conseguido em muito curto prazo. O caso mais extremo que recebemos foi de um cliente que tem um camião TIR que circula no tráfego internacional e faz mais de 200 mil quilómetros por ano. Essa viatura pode economizar em custos de combustível cerca de 30 mil euros por ano”, enaltece.

Em termos legais também não se verificam complicações, visto estar registado no Decreto-Lei 62 de 21 de Março de 2006 do Diário da República o óleo alimentar puro produzido a partir de plantas oleaginosas,
Nessa perspectiva, António Fernandes aguarda que os primeiros-ministros europeus que assumiram a necessidade de um esforço conjunto em prol dos biocombustíveis avancem agora com passos visíveis nesse sentido.
“Quando ouvimos diariamente que o país necessita reduzir o défice, seria determinante que o Estado apoie e motive os consumidores para apostarem nestas tecnologias em vez de lamentar cada dólar que aumenta o preço do barril de petróleo. Há que pôr as mãos à obra, não pagar aos agricultores para terem as terras paradas e incentivar a plantação de girassol, soja e outras plantas que possam ser convertidas num óleo combustível”, remata.